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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Situação do Software Livre No Brasil

Lendo o BR-Linux, achei um comentário interessante sobre um manifesto feito pelo Anauhac de Paula, autor de um software chamado JeguePanel.

Considero que em partes o Anauhac não está muito correto, como o caso do Google(como neste exemplo e neste outro, onde a colaboração foi em dinheiro). Mas o pior é a parte em que ele está correto. Nossa comunidade não colabora com muito retorno (ou mesmo nenhum), ao autor da idéia.

Minha certificação da Conectiva e do Brainbench foram conseguidas usando como material didático o Guia Foca. Enviei sugestões e modificações ao Gleydson Mazzioli, o autor do Guia. Pedi a ele permissão para usar o manual para dar minhas aulas, no que ele concedeu. Uso até hoje como referência às minhas aulas, e peço aos meus alunos que enviem um email para o Gleydson PELO MENOS agradecendo pelo esforço envolvido. Mas não sei quantos fazem isso.

O conceito de pirataria que está impregnado em nosso pensamento,assim como a maldita "Lei de Gérson", nos habituou a quase todos a agir deste modo inescrupuloso. Minha mãe SEMPRE me disse que eu não poderia pegar no que não é meu. No meu começo de carreira com computadores eu desobedeci minha mãe, aceitando pegar o que não era meu (roubando) e usando. Mas interessantemente, quando ainda trabalhava no Data Center de Madureira (RJ) fiz um programinha para o Apple Unitron de lá, o qual foi muito elogiado pelos professores, como o Carlos Seraphim, o Mendes, e outros. Dias depois, passando pela filial do Castelo (centro da cidade), vi meu programinha lá, e o monitor da filial disse que ele havia feito. Com certeza, passei a olhar isso de outra forma. Eu estive no lado de quem rouba, e agora, no lado do que foi lesado. Continuei a piratear software, mas sempre lembrando disso.

O software livre é uma oportunidade de DEMOCRATIZAR o acesso à mais numerosa fonte de qualquer tipo de informação, que é a Internet, e sem que se esteja em prática ilegal. Isto é construir (ou mesmo tentar reconstruir) uma sociedade (ou prate dela) com um mínimo de moral e ética. Estes conceitos parecem terem sido perdidos dentro de nossa cultura.

As vezes em sala de aula, tocando no assunto, alguns brincam dizendo que o software que eles compram "lá fora" é livre: livre de serial, livre de preço alto, etc. Pois é... somos um povo muito amado pelos estrangeiros, pelo nosso jeito bonachão, risonho, brincalhão, afável e amável. Estamos sempre rindo, brincando. Brincando com nossa realidade triste e feia, rindo por não levar a sério o problema de tentar ser sério. Somos, afinal, um tipo estranho de auto-comediantes, pois estamos à beira do abismo e ainda assim rindo.

A iniciativa de software livre é para se pensar, pois não se baseia apenas em "programinhas de computador" mas em uma filosofia de vida. Conceitos que precisam ser resgatados. Não apenas no tecnológico, mas no social como um todo. Ajudar o próximo, lhe dar uma chance de sair do buraco em que está, sem o explorar. Dar UMA chance.

Moro no litoral que talvez seja o mais belo de todo o nosso país. Mesmo assim, nosso povo anda por ele jogando no chão seus plásticos de bala, tampinhas de bebidas, guardanapos, lixo em geral. Descaradamente, e sem o menor remorso de sujar a própria cidade. Ditos "profissionais" da informática tem a msma (falta) de moral e ética, recomendando sem a menor culpa, o uso de software pirata.

Não defendo ou acuso a MS, ou qualquer outro produtor de software. Eles escolheram comercializar seus produtos para quem quiser e puder comprar. São softwares, tem suas vantagens e desvantagens. Mas por serem caros (para a realidade da maior parte da população), não estão ao alcance de muitos (aqui uma tabela com todos os valores de salário mínimo entre 1970 e 2006).

Assim, relembrando minha infância, não deveríamos pegar o que não é nosso. Principalmente se há uma alternativa que não seja ilegal.

Um comentário:

Marcio Miranda disse...

Cara parabens pelo texto. Acredito piamente que o nosso mal é unico e exclusivamente CULTURAL.
Não acredito em culpa da população brasileira não, como você mesmo citou "somos um povo muito amado pelos estrangeiros, pelo nosso jeito bonachão, risonho, brincalhão, afável e amável." e em alguns paises (ex canadá) empregam brasileiros por causa desse "otimismo" que, lá no canadá, é nossa ascenção enquanto aqui é nosso motivo de queda.
Não gosto de pirataria, tanto quanto de software tanto quanto de musica, porém (não justificando) vivemos numa realidade muito distante do minimo aceitavel para se viver dignamente, e muito que são fracos, vendem ou trocam sua (pouca) dignidade por um "cdzinho" pirata de 5 ou dez conto.

Como ja disse o mal é cultural, e quem deveria ser o mentor de uma nova cultura para essa população tão maravilhosa, ser o exemplo de dignidade e honestidade, coibir duramente a pirataria e valorizar a dignidade do nosso povo, age as avessas sem dar a menor importância ao circo que está em chamas, aproveitando pra tirar algum beneficio em cima de tudo isso.
Afinal.... esse é o "jeitinho" brasileiro. Tirar vantagem de tudo e de todos, esse é o lema.

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