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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Agência britânica em luta contra Microsoft

Recentemente participei de uma discussão de muito bom nível com o Dennes, sobre a Microsoft. Conheci fatos que eu não conhecia, e expus minha opinião acerca de pontos onde éramos discordantes. Lá discutimos um bocado sobre licenciamento da MS. Um ponto que ficou marcado foi o fato de não compartilharmos de mesma visão sobre a ação do atual governo federal em relação a sua preferência por software livre, e por passar a ser de uso preferencial, isto garantido por lei, além de muita conversa sobre TCO.

Agora, leio aqui que a BECTA (British Educational and Technological Agency) se queixa do Vista e da interoperabilidade de documentos. Fui ler a notícia na fonte e procurar apresentar ela com detalhes relevantes.

O Relatório de Janeiro de 2007

O pontapé inicial para este chegar a este ponto foi um relatório de janeiro de 2007, que em resumo destaca que:
  1. Em relação ao Vista:
    1. Os melhoramentos adicionam valor mas não o justificam no meio educacional
    2. Sua distribuição é considerada de alto risco
  2. Em relação ao Office 2007:
    1. Foi considerado extremamente estável no XP, e por isto o XP seria uma excelente plataforma tanto para o Office2007 como para os concorrentes, os quais também foram avaliados. Entretanto, é relatam também que 6 dos 9 concorrentes providenciaram 50% da funcionalidade do Office 2007
    2. Foi feito uso de um modelo próprio para estimar o custo envolvido na atualização para o Office 2007 nas escolas, e este modelo considera custos com atualização de hardware, licenciamento , esforço de atualização de hardware e software, e o custo de treinar, distribuir e testar. Considerando este modelo na estrutura educacional atual do Becta, se conclui um valor de:
      1. 4000 liras para uma escola primária típica;
      2. 26000 liras para uma escola secundária típica;
      3. 167 milhões de liras para todo o sistema educacional Inglês
    3. No momento de criação deste documento (janeiro de 2007), não foi achado benefício significante que justificasse a adoção do Office 2007
  3. Em relação à interoperabilidade de documentos Office 2007
    1. Interoperabilidade entre produtos MS foi considerada satisfatória (testes incluíram o MS Works)
    2. Todos os testes feitos com os competidores apresentaram problemas, pois ennhum suportava os novos formatos de arquivo do Office 2007
    3. Becta recomenda que as instituições educacionais só devem considerar o Office 2007 quando estiver garantida esta interoperabilidade.
Como recomendações finais, este relatório recomenda que a MS promova modificações nestes 3 quesitos.

Pesquisa sobre Licenciamento Acadêmico da Microsoft

Além disso , este documento mostra detalhes interessantes sobre as impressões dos programas acadêmicos dos softwares Microsoft adquiridos. A conclusão final é que:
  1. Forte tendência das instituições de ensino de passarem a estar presas ao licenciamento da Microsoft
  2. Alta complexidade que levou a falta de compreensão a nível institucional, o que resultou em amplo uso de estratégias inapropriadas de licenciamento.
Consequências destas observações

Becta afirma ter mantido comunicação com a MS para que as modificações necessárias sejam feitas. Embora algo tenha sido feito por parte do fornecedor, uma quantidade de características fundamentais permaneceram sem solução, principalmente problemas sobre licenciamento e interoperabilidade entre documentos, considerando pais e alunos que querem usar alternativas à MS, incluindo as livres e/ou gratuitas.

Por causa deste impasse, Becta abriu uma reclamação junto ao OFT, na esperança que isto ajude a agilizar a solução do problema pela MS. Neste meio tempo, Becta avisa às instituições de ensino que a atualização para o Office 2007 ocorra quando a interoperabilidade entre com produtos alternativos esteja satisfatória. Ou seja, MS teria que falar corretamente com o padrão internacional ODF. A OFT seria uma equivalente à nossa defesa do consumidor.

Conclusão

Muito se critica do governo federal brasileiro pela sua preferência pelo Software Livre, mas devemos ver que a motivação deste ato não é tupiniquim. Software Livre tem se mostrado uma tendência mundial, e aparentemente incondicional. Posso citar aqui alguns exemplos, como este e este na França, este e este na Alemanha, África do Sul, este estudo na Itália, estes planos do governo da Eslovênia,as cidades Ribeirão Pires, Recife, Itajaí e Arapiraca, os estados Rio Grande do Sul, Goiás, entre diversos outros exemplos nacionais e internacionais. É difícil continuar crendo que isto é uma obrigação imposta pelo governo federal a tantas cidades e países. Aliás, aqui está um texto longo de 2004, mas muito oportuno, questionando a lei de software e assuntos relacionados

O uso de software proprietário, não será nunca descartado. Isto é impossível nos dias de hoje. Entretanto, não há mais como dizer que são melhor solução, ou apresenta melhor qualidade. Agora, não é mais um "bando de nerds" a bradar a qualidade do Free Software, é um órgão respeitável, equilibrado e que procura o melhor para seu uso.

Esta ação da Becta apenas é mais um forte indicativo de que a adoção do Software Livre não apenas é uma alternativa viável, como demonstra que sua qualidade e aplicabilidade tem crescido, e quase mudando o estátus de "viável" para "preferencial".

"Preferencial" de fato e de direito.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Davi desafiando Golias

É sempre interessante vermos coisas inéditas. Esta foi muito interessante. Agradecimentos ao Weverton, por ter me mandado esta informação. Encontrei aqui a íntegra deste evento. As traduções que seguem não são literais, mas interpretações com o propósito de simplificar o ocorrido. Por favor, informem do que não concordarem.

O cenário é uma simpósio chamado ITxpo Conference, organizado pelo grupo Gartner. Em um dado momento, Steve Ballmer faz sua esperada (?) aparição, no caso, sua esperada participação no evento. Esperado sim, devido à importância da MS no cenário mundial de IT, o que é inegável, e de certa forma, pode ter sido esperado poucas novidades nesta apresentação de Steve Ballmer. Não há nenhuma ironia aqui.

Exceto por um momento, em que Yvonne Genovese, uma analista do Gartner, fez uma observação um tanto quanto inesperada ao longo de uma entrevista a Ballmer.

Se declarando como uma das pessoas que recentemente adotaram o Vista, Yvonne disse que um dia sua filha lhe disse que conhecia alguém que estava já usando o Vista, e disse ter ficado “apaixonada” (minha interpretação) pelas coisas “bonitinhas” do Vista, chamadas Gadgets, e que ela queria isto.

Ballmer alegremente declarou: “Eu amo sua filha”.

Bem típico do humor norte americano, frases de efeito rapidamente construídas sob afirmações recém disparadas. Convenhamos que é preciso vivacidade para manter este humor, o que o faz muito interessante. Podemos ver este tipo de humor em quase todas as séries americanas, onde alguém fala algo muito rapidamente sobre um fato recém ocorrido ou semelhante.

Entretanto, Yvonne também fez uso deste humor, mas desta vez com um tempero ácido bastante forte: “Nos próximos dois minutos, você não gostará tanto da mãe dela”.

Imagino como uma declaração destas deve ter feito murchar o sorriso que com certeza estava enfeitando o rosto de Ballmer. Daí em diante, Yvonne começa a contar do seu arrependimento em ter instalado o Vista, e como em 2 dias ela retornou para o Windows XP: “É seguro, funciona, todo o hardware foi bem reconhecido, e tudo é bom”, disse Yvone a respeito do XP.

Não bastasse isto, Yvonne afirma irrefutavelmente que sua experiência é amplamente compartilhada por outros usuários: “O que estamos vendo e o que estamos ouvindo dos usuários é algo muito semelhante”.

Ballmer tenta se recuperar deste golpe surpresa, desferido num momento em que estava de guarda baixa, nos primeiros segundos do primeiro round: “Vamos começar com o usuário final. Sua filha viu muito valor”. Yvonne revidou de imediato: “Ela tem 13 anos”.

Ballmer estava bem à vontade sobre as críticas, enquanto defendia amplamente o sistema operacional, afirmando que os usuários apreciaram o valor posto no Vista, mas como nos sistemas operacionais anteriores, há sempre uma tensão entre o valor percebido pelo usuário do ponto de vista do desenvolvedor, além do valor a ser gerado para TI.

Resumidamente, Ballmer fala da expectativa de seguranço nesta nova versão do Windows, da redução das vulnerabilidades, e do retorno positivo nos primeiros 6 meses, se comparado com versões anteriores do Windows. Quanto aos cont roladores de dispositivos, afirmou que no lançamento, havia menos controladores do que ele desejava, mas outros foram adicionados através do Window Update Service. Características de segurança fizeram com que softwares desenvolvidos por terceiros fossem modificados. Foram citados o Citibank e Continental Airlines como exemplo de corporações que já instalaram o Vista. O SP1 está em fase beta, a partir do retorno dos usuários. A MS está a par dos problemas que dos usuários, controladores de dispositivos, e problemas de compatibilidade.Ballmer sabe que o Vista é maior que o XP, e isto é um problema para alguns. Mas o SP1 não mudará isso. Mas máquinas estão crescendo constantemente, e Ballmer afirma que é importante recordar disto também.

Eu particularmente lembro aqui do humorista Tom: “não necessariamente nesta mesma ordem”, ou seja, o software evoluindo nesta progressão passa a exigir uma máquina mais potente, e não o software cresce por que a máquina ficou mais potente. Assim, eu entendo que o crescimento do software é ditado pelo crescimento do hardware. De um jeito ou de outro, em geral não podemos ficar comprando novas máquinas toda vez que o software que usamos mudou de versão. Ainda não achei tanto dinheiro sobrando por aí, e acredito que as empresas também não.

Mesmo assim, apesar de todos estes detalhes citados, Yvonne Genovese, rebate com poucas palavras:”Bom, deixo que você o instale para mim”.

Já disse que fui um evangelista ferrenho do Linux, mas relembrando os seres mitológicos do nosso cotidiano, eu me desenvolvi. Interoperabilidade é uma necessidade, e qual sistema operacional vai ficar com a maior parte da rede depende do que vai ser feito. Mas isto é a visão empresarial. O usuário doméstico precisa de algo que funcione, que dê mais segurança em relação aos vírus e outros atos agressivos. Este usuário quer acessar a Internet sem pensar qual site pode abrir, com medo de “estragar” seu computador. Este usuário quer acessar qualquer email que receber, sem se preocupar em isto ser uma apresentação ou uma armadilha disfarçada em um PDF. No nosso caso, brasileiros, é inadmissível que paguemos quase R$ 1.000,00 por 2 ou 3 CDs, (pode ser conferido o preço da Brasoftware aqui) e por este valor estaremos levando apenas o básico. Neste aspecto, enquanto o sistema operacional da MS ainda precisar dos antivírus e outras ferramentas afins, e custar este preço absurdo (para o brasileiro médio), ainda será um sistema operacional inadequado para o usuário final. Pelo menos o usuário final brasileiro que queira permanecer na legalidade.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Cisco e os problemas com sonegação no Brasil

Com muito espanto, vejo na Record News este assunto espantoso, acerca do qual ainda estou tentando entender o desenrolar. Mas a coisa de 10 minutos atrás a Cisco libera o seguinte comunicado, encontrado no site do baguete:

"De acordo com as autoridades brasileiras, várias apreensões foram realizadas hoje no Brasil, ligadas a um suposto esquema de sonegação de impostos. De acordo com relatórios oficiais, a questão envolve um grupo de empresas brasileiras, pelos menos uma delas é um revendedor da Cisco no Brasil. Como parte deste esforço, as autoridades brasileiras visitaram e fecharam temporariamente os escritórios da Cisco em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nós entendemos que um pequeno número de funcionários foi detido. Não foi feita nenhuma acusação formal contra esses funcionários.

Os princípios fundamentais da Cisco incluem o cumprimento das leis e regulamentações de todos os países nos quais opera. No momento, nós estamos apurando os fatos para estabelecer o quê realmente aconteceu no Brasil e determinar como esta investigação envolve a Cisco. Nós estamos cooperando totalmente com as autoridades brasileiras.

A operação brasileira da Cisco faz parte da região América Latina, dentro da área de Mercados Emergentes. As vendas totais desta área representam aproximadamente 10% dos negócios gerais da Cisco. A Cisco não possui operações de vendas diretas no Brasil. Pelo contrário, nós vendemos nossos produtos através de parceiros diretos ("Tier 1"). Os negócios permanecem em andamento na região através destes parceiros."

Parece um pouco um certo tirar o corpo fora, dizer que A Cisco não possui operações de vendas diretas no Brasil. Mas realmente não sei se tem. Pode ter sido por conta da interpretação que foi feita no texto original. A polícia Federal vai pedir até a prisão de executivos Cisco nos EUA.

No site da Cisco Internacional não tem, até este momento, nenhum informativo sobre isto. no site Cisco Brasil, a página está indisponível.

Mas ainda tem muito que ser esclarecido.

Security Fix

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