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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Será que eu voltei ?

Este texto é uma resposta a http://www.fanboysdelinux.hpg.com.br/

Vamos tentar digerir tudo, mas não antes de tomar um bom gole de Aloe Vera para facilitar o processo digestivo. Para simplificar, vou me referir ao site como FANBOYS.

  • FANBOYS - Você não acha estranho um sistema "tão bom" como é o linux segundo seus usuários xiitas, deter apenas 1% do mercado? Sim, isso mesmo, somente 1% dos computadores rodam Linux.
  • => De onde saiu este percentual exato? Qual foi a pesquisa que examinou TODOS os usuários domésticos do planeta ?

  • FANBOYS - Alegam que agora há synaptic, apt-get, entre outras ferramentas que facilitam a instalação. Isto não é totalmente verdadeiro, já que muitos outros programas não podem ser instalados através deles, além de drivers.
  • => As ferramentas synaptic (GUI), YAST (GUI e CLI), apt-get (CLI), aptitude (CLI), yum (CLI) são usadas para administração de softwares disponíveis nos repositórios. No caso dos drivers, quando o fabricante do hardware em questão se compromete em produzi-lo, ele está disponível. É o caso da HP, Xerox, Lexmark, ATI, NVIDIA. As máquinas de fotografia digital mais populares do mercado (SONY, Canon, Kodak, Yashica, etc) trabalham de forma padronizada, o que permite que QUALQUER Sistema Operacional que use USB possa acessar os seus arquivos (fotos) sem necessidade de software adicional. O mesmo acontece com celulares que armazeam mídia. Meus exemplos são Sony DSC T50 e o NOKIA XpressMusic

  • FANBOYS - Uma hora ou outra, você terá que recorrer ao terminal, a famosa janela preta. O Windows tem também, mas o terminal do Windows não é necessário para usuários domésticos convencionais, como provavelmente você que está com dúvidas se usa o Linux que veio no seu computador novo. O terminal do Windows é somente utilizado por experts que desejam configurar a gosto.
  • => Acredito que o que o autor chama de "usuários domésticos convencionais" são as pessoas que apenas usam o que está instalado. Estes usuários não sabem instalar absolutamente nada, sequer no Windows. Não conheço nenhum software destinado a "usuários domésticos convencionais" no Linux que precise sequer ser instalado, pelo menos no Ubuntu, pois a Canonical realiza um trabalho intenso para identificar quais softwares são mais utilizados por usuários de GUI, e os disponibiliza junto com o SO.
Assim sendo, ao encerrar a instalação do SO, já é possível editar um arquivo com formatação, visualizar arquivos de slides, editar fotografias, acessar internet, usar IMs, acessar a GUI de uma quantidade não limitada por licença de hosts na rede, usar software de torrents, gravar arquivos em sistema gratuito de Cloud Computing, usar um software de desenho vetorial, usar um organizador de mídias, usar um gravador simples de voz, entre outros softwares disponíveis na instalação.
Claro, todo este software está disponível para Windows, os mesmos ou equivalentes ou superiores. Mas obrigatoriamente terão que ser instalados DEPOIS da conclusão do Windows, e um de cada vez. Dependendo dos softwares necessários e do hardware, instalar o Windows, configura-lo e em seguida instalar os seus softwares pode levar mais de uma hora.
Pensando em usuário final, uma linha de comando é sempre menos indicada, mas por vezes inevitável. Vamos supor um suporte por telefone, que precise saber se o host do usuário em questão está na mesma rede de um outro host. Como este suporte faria para desenvolver esta tarefa em um Windows ou Linux recém instalados? Naturalmente, teria que pedir para o usuário final "pingar" o host destino. Em ambos os casos, o usuário final teria que digitar "ping x.y.z.w"

  • FANBOYS - Além disso, o terminal do Windows é muito mais intuitivo do que o do Linux (só pelo nome dos comandos dá para ter idéia do que fazem)
  • => quão intuitivo é digitar um comando xcopy, ftp, telnet, mode, title, sys, more, label, for ? linha de comando não é nem nunca será para qualquer usuário final. Apenas para profissionais. Assim, esta afirmação de intuitividade é muito relativa ... Mas apenas para lembrar, a tal "linha de comando" ou "janela preta" vem do início da década de 70, ou seja, antes da MS existir. Isso mostra que a experiência de "usabilidade" provavelmente vai pesar mais para o lado do Unix e descendentes.

  • FANBOYS - Há casos graves de falhas do Linux, como as de quem tem monitor LCD, se o sistema não reconhecer a placa de vídeo, o monitor entra "fora de escala" ou "fora de sincronia" (e não adianta usar o comando pra forçar resolução ou frequência). O único jeito de bootar então seria mexendo nos arquivos x.org config, o que exige conhecimento.
  • => Uma afirmação destas parece vir de um técnico novato. Em qualquer SO existe esta possibilidade, de um hardware qualquer não ser reconhecido. Tente instalar EM QUALQUER WINDOWS um hardware que precise de um driver, sem ter o driver. Se conseguir, aceito o fato que o Linux é um horror cheio de falhas graves.
E mesmo assim, se for possível corrigir isto sem ter que instalar o drive, ainda é melhor que não poder usar caso a única saída seja instalar um drive que vc não tem. Imagine se isto acontece com o Windows, e vc não tem acesso à internet para procurar o tal driver ???

  • FANBOYS - “Talvez eu devesse comprar uma cópia do Windows 7, ouvi dizer que ele… funciona. Como podemos esperar que usuários leigos usem essa montanha de lixo que é o Linux?”
  • => Wyatt disse isto, deixou o projeto, mas interessantemente, foi só ele que fez isso, pois os outros continuaram. Mas até mesmo aí eu olho pra trás e vejo o Vista, o NT4, o ME, o fiasco da primeira versão do 95, fora as falhas transmitidas pela tv do Windows 98 e do reconhecimento de voz.

  • FANBOYS - Fazendo uma consulta rápida ao softpedia.com, superdownloads, etc, você poderá ver que o Windows possui milhares de vezes mais softwares que Linux. Isso em um site de downloads! Imagine os outros milhares de softwares que o Windows tem. Além disso, a maioria dos softwares decentes de Linux gratuitos, tem versão igualmente gratuita para Windows, como Open Office, GIMP, etc.
  • => Eu questiono a opinião de quem busca softwares em sites como o superdownloads... Mas vá lá que seja. Considerando o tempo do Windows para Desktop, eu iria me surpreender se a maioria dos softwares desenvolvidos para Desktop não fosse para Windows. Mas a minha dúvida é: O QUE É QUE TEM A VER UM SOFTWARE SER DESENVOLVIDO PARA MAIS DE UMA PLATAFORMA ? A adobe desenvolve para Windows e para Mac. QUAL O PROBLEMA NISTO? Não é o "Linux" que faz os softwares, são desenvolvedores independentes ou empresas. QUAL O PROBLEMA NISTO???
  • FANBOYS - No Linux, se você quiser jogar, terá que usar o Wine. Além de ficar uma verdadeira gambiarra, a performace será comprometida e você precisará de conhecimentos bons para resolver problemas (como os de jogos on-line multiplayer e joysticks, volantes, etc) e colocar para funcionar direito. Ou seja, leigo? Tchau.
  • => Existem jogos disponíveis para Linux sim. Não tantos como existem para Windows, uma vez que os desenvolvedores fazem softwares EXCLUSIVAMENTE para Windows. Não há tantos jogos para Mac tb. Mas não preciso de Wine para jogar qualquer jogo. World of Padman é um exemplo excelente de jogo desenvolvido para as duas plataformas. Quake e Doom também, e sem emulador. Caso queira ver outras opções, visite www.tuxgames.com. Alguns lá precisam de Wine, outros rodam nativamente. Mas eu gostaria muito que os autores de Need for Speed escrevessem uma versão nativa para Linux. Mas, eles sabem dos motivos para não fazer isso, seja lá quais forem.

  • FANBOYS - A frase está no tempo errado: Windows pegava muitos vírus. Hoje, com o Windows Vista e Windows Seven, contaminar-se por motivos bobos como ocorriam antigamente, por exemplo, ao entrar em um site, plugar um pendrive ou pela rede, não ocorre mais. Pegar vírus sem intervenção do usuário era realmente válido, mas para Windows como o 98, que você entrava com o I.E em um site e o vírus já entrava automaticamente.
=> Esta foi no mínimo simples ... Fui no site da McAfee e achei o seguinte (em 21/2/2010) :
  • February 9, 2010: Microsoft has released their February 2010 Security Bulletins. A total of 13 bulletins have been released. Affected components include Microsoft Windows and Microsoft Office. Five of the bulletins are rated 'Critical' while an additional six are rated 'Important'. Eight of the bulletins carry a potential impact of remote code execution.
  • McAfee Labs identified a zero-day vulnerability in Microsoft Internet Explorer that was used as an entry point for “Operation Aurora” to exploit Google and a rapidly-growing list of other companies. Microsoft has issued a security bulletin and McAfee is working closely with them on this matter. “Operation Aurora” was a coordinated attack which included a piece of computer code that exploits a vulnerability in Internet Explorer to gain access to computer systems. This exploit is then extended to download and activate malware within the systems. The attack, which was initiated surreptitiously when targeted users accessed a malicious Web page (likely because they believed it to be reputable), ultimately connected those computer systems to a remote server. That connection was used to steal company intellectual property and, according to Google, additionally gain access to user accounts
  • Searching for the latest Winter Olympic news and downloads can cause serious damage to one’s computer. Cybercriminals are using Olympians’ names and images to lure surfers searching for the latest stories, screen savers and wallpapers to sites offering free downloads laden with viruses and malware.

O Site USN do Ubuntu mostra TODAS as falhas registradas, e nesta página, a primeira vulnerabilidade ocorre em 22-10-2004 e segue até 18-02-2010, em um total de 1037 ocorrências, o que gera uma média de 16 vulnerabilidades por mês (65 meses).

Pelo informe da McAfee, entrar num site com Internet Explorer também dá problema, e dos pesados. Mas para não ser tão parcial, fui em Security Focus, uma das referências no quesito vulnerabilidades (http://www.securityfocus.com/bid), e fiz as seguintes buscas:
- Com VENDOR=UBUNTU, TITLE=UBUNTU AMD and INTELx86-64: Nenhuma Vulnerabilidade
- Com VENDOR=UBUNTU, TITLE=UBUNTU LINUX: 46 Páginas de títulos de Vulnerabilidades
- Com VENDOR=MICROSOFT, TITLE=WINDOWS 7: Apenas 1 página
- Com VENDOR=MICROSOFT, TITLE=WINDOWS VISTA: Apenas 6 páginas
- Com VENDOR=MICROSOFT, TITLE=WINDOWS VISTA x64 EDITION: Apenas 5 páginas

Neste último caso, são listadas 140 vulnerabilidades, entre 28-08-2007 e 18-02-2010, ou seja, apenas 4,5 Vulnerabilidades por mês (31 meses). Assim, seguindo este ritmo, teríamos 2925 vulnerabilidades no mesmo período de 65 meses. Claro, isto é uma proporção no mínimo "irresponsável" de minha parte, considerando a melhoria de segurança que se viu no Windows, desde o XP PROFESSIONAL. Aliás, a procura no site acima com VENDOR=MICROSOFT, TITLE=WINDOWS XP PROFESSIONAL aponta "apenas" 17 páginas.

Considerando TODAS as 12 versões do Ubuntu (4.10, 5.04, 5.10, 6.04, 6.10, 7.04, 7.10, 8.04, 8.10, 9.04, 9.10, 10.04), percebo que é muito pouco perto das muitas versões do Windows (mais de 20, sem contar com os Service Packs), fazendo uma comparação igual, ou seja, desde as mais antigas versões do Windows, tipo Windows 3.11.

Um outro detalhe é que FANBOYS apenas relacionaram as falhas de Ubuntu. Note que o tempo de solução individual é razoavelmente pequeno, sendo em geral de poucas horas, desde o anúncio oficial das falhas até a publicação da mesma. A MS, porém, detém um recorde fantástico, que acho (realmente não tenho certeza) deve ser o maior tempo levado para solucionar uma vulnerabilidade: 17 anos ... pode ser visto em http://tech.slashdot.org/story/10/02/06/0158248/Microsoft-Finally-To-Patch-17-Year-Old-Bug?from=rss

  • FANBOYS - É mais uma mentira! Há sim vírus para linux, só que em menor quantidade, por dois motivos: O primeiro é que só possui 1% do mercado, e essas pessoas que usam, são pessoas com maior conhecimento (geeks, etc) e não cairiam em métodos comumente utilizados para infecção como engenharia social.
  • => O problema dos 1%, já foi comentado. Pelo texto acima, o Linux parece ser preferido pelas "pessoas com maior conhecimento". Me sinto lisonjeado. Nem quero imaginar qual o termo usado para usuários de Windows.

  • FANBOYS - http://packetstorm.codar.com.br
  • => O que foi encontrado na primeira página do PacketStorm, diga-se de passagem uma excelente referência, foi o seguinte:
evilbs.tar.gz - bindshell
connect-back.php.txt - script php
istari-public.tar.gz - python script
enyelkm-1.3-no-objs.tar.gz - rootkit
solaris-sshd.tar.gz - rootkit
funnyscript.c - código fonte
evilshell.c - backdoor
c99.tgz - php script
ezmal-0.2.zip - Trojan
3vilSh3ll.c - bindshell
m_rev-0.2.c - utility
rathole-1.2.tar.gz - backdoor
rcbd.c - backdoor
erne.txt - shell script
rel.tar.gz - rootkit
backdoor.tar.gz - rootkit
openssh-4.6p1-backdored.tar.gz - backdoor
openssh-4.5p1_backdoored.tar.gz - backdoor
mood-nt.tgz - rootkit
logginsh.txt - shell script
pingrootkit.tar.bz2 - rootkit
m0rtix.c - backdoor
wnetstat.pl - perl script
ssheater-1.1.tar.gz - código fonte

Aparentemente FANBOYS não sabe exatamente o que é vírus e o que é malware. Na Wikipedia a definição é "A computer virus is a computer program that can copy itself and infect a computer. The term "virus" is also commonly but erroneously used to refer to other types of malware, adware, and spyware programs that do not have the reproductive ability. [...] The term "computer virus" is sometimes used as a catch-all phrase to include all types of malware, adware, and spyware programs that do not have the reproductive ability. Malware includes computer viruses, worms, trojans, most rootkits, spyware, dishonest adware, crimeware, and other malicious and unwanted software, including true viruses.".

Nenhum dos itens relacionados acima são qualificados pelo próprio site como vírus. Se pelo menos o FANBOYS tivesse usado o termo correto não teria sido preciso procurar tanto. Mesmo assim fui procurar diversos textos que faziam a comparação Linux x Windows em termos de segurança, e achei esta afirmação (http://dotgiri.com/2009/02/10/reason-linux-less-virus-gaming-music-player/):
"To be very precise about this point;I should say that Linux is multi user operating system by birth itself, whereas Windows got transformed to a multi user OS from its original Single user model. Many of those Single user design is still used in modern version of windows. So if a virus infect a Linux system it is limited to that particular user alone where as in windows access to system files and access to every users is pretty easy. Hence the consequences of virus attach can be much more."

FANBOYS parece realmente não saber diferenciar tipos distintos de malware, como pode ser visto em http://under-linux.org/f138/peguei-virus-no-linux-135480/. A impressão é que o objetivo de FANBOYS ter posto este link no Under Linux foi tentar alardear que Linux também tem vírus, sem no entanto saber exatamente o que é vírus.

  • FANBOYS - Ora, e desde quando liberdade está associada só ao fato de ser gratuito?
  • => Este é o tipo de afirmação que um usuário Linux dificilmente faria, hoje em dia. Se falar um mínimo de inglês, vai saber que FREE tem as duas traduções (livre e gratuito). Costuma-se dizer "free as free speech, not free beer". Ou seja liberdade não está associado ao fato de ser gratuito. Não sei (nem foi dito) de onde saiu esta afirmação.

  • FANBOYS - No Windows nós pagamos pela comodidade de um sistema mais fácil de usar, comprometido com atualizações e que mantém um suporte para os clientes.
  • => Já falamos aqui do caso raro da MS levando 17 anos para corrigir uma vulnerabilidade.

  • FANBOYS - Estranho, pois o maior fórum de informática do Brasil é o Baboo, e é sobre Windows
  • => Gostaria de saber que pesquisa foi esta que apontou o BABOO como tal. Não me recordo de algo assim. Caso exista, eu não soube e gostaria de acessar o conteúdo desta pesquisa.

Deste ponto em diante, o texto fica tedioso e apelativo, por isso vou tentar filtrar os itens mais importantes.

  • FANBOYS - Linux - R$0,00 (mas você terá dores de cabeça, e ninguém será obrigado a lançar atualizações pra ele, já que é de graça); Windows Vista Starter (Diferentemente do XP starter, o Vista Starter é usável e decente) - Acréscimo de R$20 a 60,00 em média; Windows Seven Home Premium: Acréscimo de R$100,00 a R$150,00.; Você realmente acha caro R$120,00 por um sistema que irá facilitar a sua vida, proporcionar diversão, instalação de jogos, programas, etc e que durará no mínimo 4 anos, tendo updates mensalmente e tudo mais? É quase de graça!
  • => Infelizmente, ao acabar de instalar o Windows comprado, vai estar faltando instalar os softwares necessários: Office, jogos, software de desenho e outros. Interessantemente FANBOYS esqueceu de incluir este detalhe irrisório no cálculo de preços. Além disso, eu quase não entendi o porquê do termo "dor de cabeça", mas depois lembrei que o Linux parece ser preferido pelas "pessoas com maior conhecimento", como foi dito acima. Seguindo o pensamento do FANBOYS, quem vai ter problemas é o usuário do Windows, já que os usuários do Linux são "pessoas com maior conhecimento". Aliás, FANBOYS parece desconhecer que distribuições como Slackware e DEBIAN estão a bastante tempo no mercado , e continuam fornecendo atualização, mesmo sendo "de graça".

  • FANBOYS - Você conhece, algum produto em que a empresa que o vendeu ainda tenha gastos com o cliente após anos e anos de ter sido vendido além do Windows? Não existe!
  • => Para citar alguns, RedHat e Ubuntu. Aliás, a versão 10.04 do Ubuntu será lançada em modalidade LTS.

  • FANBOYS - Por que os usuários de Linux atacam tanto a Microsoft?
  • => Isso não é verdade. Normalmente, nosso ataque tem sido defesa. Pelo menos é o meu caso, como neste próprio texto.

  • FANBOYS - Linux é para quem entende de informática, e Windows para leigo?
  • => Pelo que o FANBOYS disse anteriormente, é. Foi FANBOYS quem disse, não eu: os usuários do Linux são "pessoas com maior conhecimento".

  • FANBOYS - Por que eles escolheram Linux?
  • => Até este ponto, o texto estava tão bom quanto qualquer defesa mal elaborada. Daqui em diante, o autor propõe suas respostas pessoais para perguntas que ele mesmo cria. Assim, vou rebater com minhas palavras também.

  • FANBOYS - "Argumentos como os de "posso fazer do meu jeito", "compilar", etc não servem para um uso doméstico."
  • -> Escolhi para aprender algo diferente, e passei a usar por me apresentar mais estabilidade e menos problemas de travamentos. Configurar um SO é, foi e sempre será uma tarefa não destinada a usuários domésticos. Pelo contrário, usuários domésticos nos pagam para fazer isso.

  • FANBOYS - Outra explicação é que alguns dos usuários Linux tem alguns problemas sociais (se você duvida, pesquise e verá que a maioria deles não possui vida social boa, e principalmente, tem dificuldades em arranjar um parceiro(a).
  • -> Não consigo achar a fonte desta "pesquisa" e muito menos base para esta afirmação sexual. Nem tenho idéia de onde ele tenha procurado esta informação. Para que conste nos autos, eu sou casado.

  • FANBOYS - Sim, Linux é comunista, como a grande maioria dos softwares open-source. O “Software Livre”, de acordo com os preceitos da Free Software Foundation (que criou o termo), é nada mais do que uma expressão do Marxismo, ou seja, capital intelectual obrigatoriamente aberto e distribuído à todos.
  • -> Este texto está ficando cada vez pior ... Linux começou com uma brincadeira de um estudante e se tornou um sistema operacional como outro qualquer. Aliás, Linux nem é sistema operacional, é apenas o kernel. Mas, e se fosse realmente comunista: É criminoso quem defende o comunismo ? Comunistas são pessoas não quistas? Só falta dizer que Linux é ferramenta do neo-nazismo...

  • FANBOYS - O fato de ser gratuito não significa que seja uma coisa boa. O Linux oferecer tudo gratuitamente chega a ser uma concorrência desleal, e caso o mesmo tivesse muito mercado, traria sérios problemas a quem precisa do seu pão-de-cada-dia, pois há tanto suporte gratuito que não há espaço para ganhar dinheiro.
  • -> Considerar o Linux como "concorrência desleal" me faz entender que mesmo para FANBOYS Linux não é tão insignificante assim, já chegando a ser concorrência. Bom, de qualquer jeito, eu vivo de Linux, seja em treinamentos, seja em consultorias, seja em empregos. E pela graça de Deus, já até mudei de estado por isso. Parafraseando o personagem do Tom Cavalcanti, "podia estar matando, roubando ou me prostituindo", mas preferi Linux. "Caso o mesmo tivesse muito mercado" indica que FANBOYS está aparentemente desatualizado. Profissionais MCSE, MCSA, LPIC, RHCE são igualmente muito requisitados e em geral bem remunerados, entretanto uma empresa de médio porte não precisa de 20 MCSEs ou LPICs. A maior quantidade de profissionais necessários serão os menos especializados. Uma engenharia precisa de menos operários do que engenheiros.

  • FANBOYS - Se isso fosse verdade, por que 90% dos usuários do Linux sempre tem alguma imagem do Pinguim tomando suco de Windows, batendo na borboleta do MSN, e coisas do tipo?
  • -> Tem mesmo estes wallpapers, mas ... de onde saíram estes 90% ??? ainda não vi esta pesquisa que foi a cada usuário final ver a imagem do Desktop.

  • FANBOYS - Comandos Letais do Linux
  • => Vou corrigir os erros cometidos por FANBOYS, caso estivesse sendo usado um Ubuntu:
  1. sudo rm -rf / (deltree c:\) : Sem sudo não pode ser executado
  2. sudo mkfs.ext3 /dev/sda (format c:) : não formata a partição caso esteja sendo usada (montada)
  3. qualquer_comando > /dev/sda : mesmo com sudo não funcionaria por causa das permissões de escrita. Seria preciso estar usando o sistema como root, o que normalmente não acontece
  4. sudo wget http://alguma_fonte_não_confiável -O- | sh : Sem sudo não pode ser executado
  5. char etc etc etc : não deu em nada, mesmo executado como root
  6. Sequência de chaves, dois pontos e outros caracteres: aqui deu mensagem de erro de sintaxe, mesmo executado como root. Copiei literalmente como estava no texto de FANBOYS.
Infelizmente, FANBOYS usa citações sem origem citada. Infelizmente, tudo quase passa a ser pessoal. Não citando autores das suas afirmações, ela podem ser compreendidas como opinião própria.
Quero crer que FANBOYS esqueceu de incluir estas citações, como é o caso das porcentagens, das frases, etc. As poucas citações mencionadas me fazem crer que foi mais um descuido no momento de compor o texto.
Entretanto, as afirmações de dificuldade de relacionamento, tendências políticas parecem ser extremamente discriminatórias, o que é no mínimo lamentável.
Infelizmente, em nosso país, é muito difícil manter uma discussão saudável sem que haja um tom de ironia, ou recursos de apelação grosseira.
Confesso, lancei mão da ironia em algumas vezes, baseado em afirmações muito mal elaboradas por FANBOYS.

Este texto foi escrito em toda uma madrugada, e ao final será enviado um email ao autor de FANBOYS.

Grande Abraço

terça-feira, 4 de março de 2008

Interoperabilidade: Windows 2008

Por estes dias, bastante tem sido comentado do Windows 2008. Eventos em diversos locais, artigos, fotos na internet. Nosso professor de Sistemas Operacionais convidou um especialista da MS para dar sua parcela de contribuição na explicação de detalhes do mesmo, e confesso ter ficado surpreso em muitas novidades.

Tendo visto, com muita propriedade pelo Serginho da Quality, uma visão geral das características do novo SO, fui procurar por isto no site da MS. Depois de muito tempo procurando pelo que interessa, tendo que passar por muito confete, achei a página com mais detalhes objetivos. Dali destaco o seguinte, tentando comparar com a base que conheço (Linux):

  • O RemoteApp para Serviços de Terminal integra completamente as aplicações executadas em um servidor de terminal com as estações de trabalho dos usuários, de modo que as aplicações se comportam como se elas estivessem sendo executadas em um computador local do usuário
    • é impressionante o que podemos ver aqui. Uma evolução do Terminal Server, a ponto de poder criar um atalho na minha máquina que vai se conectar ao servidor remoto, executar uma aplicação XYZ lá, e ver a tela gerada pela aplicação em meu próprio terminal, como se estivesse em execução local. Sempre pudemos fazer isso no falecido XFree86, mas era necessário partir para a linha de comando. Aqui um exemplo relativamente recente de como fazer isso no Linux (13/01/2002). Note que, para um administrador sem muito conhecimento de rede e protocolos (o que não é muito raro), a tarefa é complicada.
  • Network Access Protection (NAP) – Proteção Contra o Acesso à Rede: Uma nova estrutura que permite que um administrador de TI defina os requisitos de “saúde” da rede e para restringir os computadores que não estão de acordo com esses requisitos de se comunicarem com a rede. A NAP aplica as diretivas definidas pelo administrador que descrevem os requisitos de “saúde” para uma determinada organização.
    • Ideal para uma rede organizada, soma para a homogeneização dos vários terminais de rede. Ao entrar na rede, os novos terminais são "analisados" e qualificados. Ainda não sei se esta análise é feita todas as vezes que o terminal entrar na rede e quanta informação trafega entre o servidor NAP e esta estação para que esta avaliação seja feita.
  • Núcleo do Servidor: Desde a versão Beta 2 do Windows Server 2008, os administradores podem optar por instalar o Windows Server somente com os serviços requeridos para desempenhar as funções DHCP, DNS, de servidor de arquivo ou de controlador de domínio. Esta nova opção de instalação não irá instalar as aplicações e os serviços que não sejam essenciais e irá fornecer a funcionalidade base do servidor sem qualquer despesa extra. Ao mesmo tempo em que a opção de instalação do Núcleo do Servidor é um modo totalmente funcional do sistema operacional que suporta uma das funções designadas, ela não inclui a interface gráfica do usuário de servidor. Como as instalações do Núcleo do Servidor incluem somente o que é requerido para as funções designadas, uma instalação do Núcleo do Servidor tipicamente irá requer menos manutenção e atualizações, posto que há menos componentes para gerenciar. Em outras palavras, uma vez que haja menos programas e componentes instalados e sendo executados no servidor, há menos vetores de ataque expostos à rede, resultando em uma superfície de ataque reduzida. Se uma falha ou vulnerabilidade de segurança for descoberta em um componente que não está instalado, não será requerido um patch.
    • Uma versão enxuta do Windows, mas com uma quantidade muito restrita de funcionalidades, ainda que muito importantes. Desde o princípio da interface gráfica em sistemas operacionais Unix e Unix-Like, os servidores preferencialmente não usam interface gráfica. Parte-se do princípio de que se não é necessário, não deve estar instalado. Diferente das versões anteriores do Windows, desnecessariamente pesadas, esta se destaca por seguir o que os Unixes trazem em si desde o princípio de sua história de servidores (ou seja, a mais de 20 anos): a agilidade
  • Windows PowerShell: Um novo shell de linha de comando com mais de 130 ferramentas e uma linguagem de script integrada. Ele permite que os administradores controlem mais facilmente e automatizem com mais segurança as tarefas rotineiras de administração de sistema, especialmente entre múltiplos servidores.
    • Nisto, a MS surpreendeu a muitos. Conheci algumas pessoas que achavam o Linux péssimo por conta da "tela preta". Entretanto, em muitas operações, o mais prático é partir para a "mão". Mas estes que atiravam pedras na CLI (Command Line Interface) o que dirão agora ?
  • Gerenciador do Servidor: Este é um novo recurso que está incluído no Windows Server 2008. Ele é um "one-stop-shop", ou seja, uma parada obrigatória projetada para orientar os administradores de TI no processo completo de instalação, configuração e gerenciamento de funções de servidor e de recursos que são parte do Windows Server 2008. O Gerenciador de Servidor substitui e consolida vários recursos do Microsoft Windows Server 2003, tais como Gerencie seu Servidor, Configure seu Servidor e Adicionar/Remover Componentes do Windows.
    • Excelente ferramenta que agrega as configurações dos serviços comuns do SO. Simplifica a configuração de qualquer serviço, usando uma interface comum. Semelhante ao projeto Webmin, mas não sei se pode ser extendido pela adição de módulos
  • Windows Deployment Services (WDS) – Serviços de Implantação do Windows: Uma versão do Windows Server 2008 atualizada e reprojetada do Remote Installation Services (RIS), o WDS auxilia com a rápida adoção e implantação de sistemas operacionais Windows baseados em rede. O WDS permite a instalação baseada em rede do Windows Vista e Windows Server 2008 para computadores "bare metal" (sem sistema operacional instalado) e até mesmo suporta ambientes mistos, incluindo Microsoft Windows XP e Microsoft Windows Server 2003. Assim, os Serviços de Implantação do Windows fornecem uma solução completa para implantação dos sistemas operacionais Windows em computadores clientes e servidores, reduzem o custo de propriedade (TCO) e a complexidade das implantações do Windows Server 2008 e Windows Vista.
    • Agiliza a instalação do Windows em uma grande quantidade de máquinas, pela rede. Termina com os problemas ocasionais causados por softwares como Ghost, em instalações seqüenciais, e não se limita ao SO, mas depois deste, prossegue instalando outros softwares. Semelhante à instalação em rede via NFS do Linux, mas feito todo a partir do servidor. Se há esta possibilidade, alguém comente, pois não sei como fazer isto no Linux.
  • Os computadores clientes podem monitorar eventos específicos e encaminhá-los ao Windows Server 2008 para gerenciamento centralizado e relatórios.
    • Este é um muito bem vindo recurso, que para o Linux está disponível através de softwares como o gkrellm e seus muitos módulos, permitindo acompanhamento de consumo de disco, temperatura, CPU, etc
  • Os clientes podem reproduzir trabalhos de impressão localmente antes de enviá-los aos servidores de impressão para reduzir a carga sobre o servidor e aumentar sua disponibilidade.
    • Não sei o quanto isto é interessante, pois uma das justificativas de um servidor de impressão é tirar a carga do cliente, e para isto (também) o servidor de impressão tem uma fila. Agora, o peso recai sobre os clientes. Mas posso também ter compreendido incorretamente. Profissionais Windows com a palavra.
  • O novo protocolo Server Message Block 2.0 fornece várias melhorias em comunicação, incluindo maior desempenho ao se conectar com o compartilhamento de arquivos por meio de links de alta latência e melhor segurança através do uso de autenticação mútua e da assinatura de mensagem.
    • Imagino eu que esta modificação não vá alterar em nada o que foi definido no acordo entre MS e a Protocol Freedom Information Foundation. Assim, o stress entre usuários samba não deve ocorrer por conta desta melhoria.
Os textos acima foram tirados do referido site da MS, com os meus comentários. Mas nem tudo é claro. O Dennes anuncia que a Microsoft está investindo no treinamento de profissionais para a migração de PHP para .NET, enquanto Sam Ramji anuncia que o IIS 7 suporta o PHP e que o PHP foi certificado para o Windows 2008 (We set a goal of having PHP certified on Windows Server 2008, and we’ve achieved that).

Isto é contraditório, pelo menos a princípio. Mesmo assim, esperamos que a interoperabilidade anunciada por Ramji traga melhores perspectivas futuras.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Software Livre, e a Microsoft

Ano novo, 2008 esta aí, e assim, coisas novas.Mas para recomeçar, depois de longo tempo na geladeira, trago algo nem tão novo.

Licenças livres
Em 16 de outubro de 2007, a OSI aprovou duas licenças da Microsoft Shared Source:
como pode ser visto aqui.
Nenhum problema nisto. Até mesmo o texto da OSI foi muito importante:

The formal evaluation of these licenses began in August and the discussion of these licenses was vigourous and thorough. The community raised questions that Microsoft (and others) answered; they raised issues that, when germane to the licenses in question, Microsoft addressed. Microsoft came to the OSI and submitted their licenses according to the published policies and procedures that dozens of other parties have followed over the years. Microsoft didn't ask for special treatment, and didn't receive any. In spite of recent negative interactions between Microsoft and the open source community, the spirit of the dialog was constructive and we hope that carries forward to a constructive outcome as well.

Isso é interoperabilidade. A MS foi questionada, e respondeu. Ela está interessada em participar do que é inevitável, o Open Source. E está se esforçando para fazer o melhor que puder, dentro de seu modelo de negócios, até mesmo mudando sua forma de trabalhar, se necessário.
Na década de 90, a MS não acreditava na Internet, e quando percebeu a decisão incorreta, demonstrou ser uma companhia capaz de reverter erros em muito pouco tempo. Agora, vemos um replay de tudo isto. Parafraseando Mahatma Gandhi, "Primeiro eles o ignoram. Em seguida eles o ridicularizam. Depois eles o combatem. Aí você vence". Venceremos nós, os que buscam a liberdade de escolha, e venceremos também onde podemos ver que mais uma vez a Microsoft percebe a excelência da visão do software livre. Esta frase me lembra também as muitas tentativas de ridicularizar o movimento de Software Livre através de ataques diretos ao Linux, tentando evidenciar falhas do SO, algumas até existentes. Estes ataques são conhecidos como FUD (português e inglês).

Entrega Forçada
Mas nem tudo está harmônico, até por que o software livre complementa e é complementado pelo código aberto. Vemos que a
Protocol Freedom Information Foundation fechou um acordo (em português) para receber integralmente a documentação necessária para desenvolvimento da interoperabilidade completa com produtos MS. A íntegra deste acordo está aqui. Esta documentação vai ser passada para a equipe de desenvolvimento do SAMBA e outros projetos livres. Interessante observar que isto não foi feito por iniciativa da MS, e sim por decisão judicial européia de março de 2004, que foi ratificada após recurso da Microsoft em setembro de 2007, segundo o acordo a empresa terá de listar todas as patentes envolvidas com esses protocolos a fim de não haver qualquer problema futuro de infração, bem como manter a documentação atualizada a fim de que os desenvolvedores possam sempre ter acesso as mudanças efetuadas pela empresa.
Ainda outro detalhe interessante: aqui observamos que isto não foi de graça:
After paying Microsoft a one-time sum of 10,000 Euros, the PFIF will make available to the Samba Team under non-disclosure terms the documentation needed for implementation of all of the workgroup server protocols covered by the EU decision.
Esta soma toda será bancada para que muitos que acreditam na liberdade possam desenvolver seus trabalhos em nível de completa compatibilidade com outra plataforma.

Conclusão
As duas situações expõem faces opostas de uma mesma origem: Buscar a integração com Open Software, e entregar forçadamente sua colaboração com o Open Source. Reforço aqui que já não sou mais anti-microsoft, anti-adobe, anti-apple, ou anti-proprietários que sejam. Minha visão, e que procuro estender e aprimorar aqui é a necessidade de desenvolver ambientes interoperativos, e acessíveis a todos, independente do que quer que possa gerar qualquer tipo de distinção, desde que tudo seja feito de forma correta.

Percebo que uma das maiores representantes formais da indústria do software está mudando, evoluindo, pois percebe que o seu modelo de negócios já não é tão eficaz, e demonstrando uma excelente capacidade de adequação, começa a se adaptar aos (não tão) novos tempos. Sendo para melhor, que seja bem-vinda.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Agência britânica em luta contra Microsoft

Recentemente participei de uma discussão de muito bom nível com o Dennes, sobre a Microsoft. Conheci fatos que eu não conhecia, e expus minha opinião acerca de pontos onde éramos discordantes. Lá discutimos um bocado sobre licenciamento da MS. Um ponto que ficou marcado foi o fato de não compartilharmos de mesma visão sobre a ação do atual governo federal em relação a sua preferência por software livre, e por passar a ser de uso preferencial, isto garantido por lei, além de muita conversa sobre TCO.

Agora, leio aqui que a BECTA (British Educational and Technological Agency) se queixa do Vista e da interoperabilidade de documentos. Fui ler a notícia na fonte e procurar apresentar ela com detalhes relevantes.

O Relatório de Janeiro de 2007

O pontapé inicial para este chegar a este ponto foi um relatório de janeiro de 2007, que em resumo destaca que:
  1. Em relação ao Vista:
    1. Os melhoramentos adicionam valor mas não o justificam no meio educacional
    2. Sua distribuição é considerada de alto risco
  2. Em relação ao Office 2007:
    1. Foi considerado extremamente estável no XP, e por isto o XP seria uma excelente plataforma tanto para o Office2007 como para os concorrentes, os quais também foram avaliados. Entretanto, é relatam também que 6 dos 9 concorrentes providenciaram 50% da funcionalidade do Office 2007
    2. Foi feito uso de um modelo próprio para estimar o custo envolvido na atualização para o Office 2007 nas escolas, e este modelo considera custos com atualização de hardware, licenciamento , esforço de atualização de hardware e software, e o custo de treinar, distribuir e testar. Considerando este modelo na estrutura educacional atual do Becta, se conclui um valor de:
      1. 4000 liras para uma escola primária típica;
      2. 26000 liras para uma escola secundária típica;
      3. 167 milhões de liras para todo o sistema educacional Inglês
    3. No momento de criação deste documento (janeiro de 2007), não foi achado benefício significante que justificasse a adoção do Office 2007
  3. Em relação à interoperabilidade de documentos Office 2007
    1. Interoperabilidade entre produtos MS foi considerada satisfatória (testes incluíram o MS Works)
    2. Todos os testes feitos com os competidores apresentaram problemas, pois ennhum suportava os novos formatos de arquivo do Office 2007
    3. Becta recomenda que as instituições educacionais só devem considerar o Office 2007 quando estiver garantida esta interoperabilidade.
Como recomendações finais, este relatório recomenda que a MS promova modificações nestes 3 quesitos.

Pesquisa sobre Licenciamento Acadêmico da Microsoft

Além disso , este documento mostra detalhes interessantes sobre as impressões dos programas acadêmicos dos softwares Microsoft adquiridos. A conclusão final é que:
  1. Forte tendência das instituições de ensino de passarem a estar presas ao licenciamento da Microsoft
  2. Alta complexidade que levou a falta de compreensão a nível institucional, o que resultou em amplo uso de estratégias inapropriadas de licenciamento.
Consequências destas observações

Becta afirma ter mantido comunicação com a MS para que as modificações necessárias sejam feitas. Embora algo tenha sido feito por parte do fornecedor, uma quantidade de características fundamentais permaneceram sem solução, principalmente problemas sobre licenciamento e interoperabilidade entre documentos, considerando pais e alunos que querem usar alternativas à MS, incluindo as livres e/ou gratuitas.

Por causa deste impasse, Becta abriu uma reclamação junto ao OFT, na esperança que isto ajude a agilizar a solução do problema pela MS. Neste meio tempo, Becta avisa às instituições de ensino que a atualização para o Office 2007 ocorra quando a interoperabilidade entre com produtos alternativos esteja satisfatória. Ou seja, MS teria que falar corretamente com o padrão internacional ODF. A OFT seria uma equivalente à nossa defesa do consumidor.

Conclusão

Muito se critica do governo federal brasileiro pela sua preferência pelo Software Livre, mas devemos ver que a motivação deste ato não é tupiniquim. Software Livre tem se mostrado uma tendência mundial, e aparentemente incondicional. Posso citar aqui alguns exemplos, como este e este na França, este e este na Alemanha, África do Sul, este estudo na Itália, estes planos do governo da Eslovênia,as cidades Ribeirão Pires, Recife, Itajaí e Arapiraca, os estados Rio Grande do Sul, Goiás, entre diversos outros exemplos nacionais e internacionais. É difícil continuar crendo que isto é uma obrigação imposta pelo governo federal a tantas cidades e países. Aliás, aqui está um texto longo de 2004, mas muito oportuno, questionando a lei de software e assuntos relacionados

O uso de software proprietário, não será nunca descartado. Isto é impossível nos dias de hoje. Entretanto, não há mais como dizer que são melhor solução, ou apresenta melhor qualidade. Agora, não é mais um "bando de nerds" a bradar a qualidade do Free Software, é um órgão respeitável, equilibrado e que procura o melhor para seu uso.

Esta ação da Becta apenas é mais um forte indicativo de que a adoção do Software Livre não apenas é uma alternativa viável, como demonstra que sua qualidade e aplicabilidade tem crescido, e quase mudando o estátus de "viável" para "preferencial".

"Preferencial" de fato e de direito.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Davi desafiando Golias

É sempre interessante vermos coisas inéditas. Esta foi muito interessante. Agradecimentos ao Weverton, por ter me mandado esta informação. Encontrei aqui a íntegra deste evento. As traduções que seguem não são literais, mas interpretações com o propósito de simplificar o ocorrido. Por favor, informem do que não concordarem.

O cenário é uma simpósio chamado ITxpo Conference, organizado pelo grupo Gartner. Em um dado momento, Steve Ballmer faz sua esperada (?) aparição, no caso, sua esperada participação no evento. Esperado sim, devido à importância da MS no cenário mundial de IT, o que é inegável, e de certa forma, pode ter sido esperado poucas novidades nesta apresentação de Steve Ballmer. Não há nenhuma ironia aqui.

Exceto por um momento, em que Yvonne Genovese, uma analista do Gartner, fez uma observação um tanto quanto inesperada ao longo de uma entrevista a Ballmer.

Se declarando como uma das pessoas que recentemente adotaram o Vista, Yvonne disse que um dia sua filha lhe disse que conhecia alguém que estava já usando o Vista, e disse ter ficado “apaixonada” (minha interpretação) pelas coisas “bonitinhas” do Vista, chamadas Gadgets, e que ela queria isto.

Ballmer alegremente declarou: “Eu amo sua filha”.

Bem típico do humor norte americano, frases de efeito rapidamente construídas sob afirmações recém disparadas. Convenhamos que é preciso vivacidade para manter este humor, o que o faz muito interessante. Podemos ver este tipo de humor em quase todas as séries americanas, onde alguém fala algo muito rapidamente sobre um fato recém ocorrido ou semelhante.

Entretanto, Yvonne também fez uso deste humor, mas desta vez com um tempero ácido bastante forte: “Nos próximos dois minutos, você não gostará tanto da mãe dela”.

Imagino como uma declaração destas deve ter feito murchar o sorriso que com certeza estava enfeitando o rosto de Ballmer. Daí em diante, Yvonne começa a contar do seu arrependimento em ter instalado o Vista, e como em 2 dias ela retornou para o Windows XP: “É seguro, funciona, todo o hardware foi bem reconhecido, e tudo é bom”, disse Yvone a respeito do XP.

Não bastasse isto, Yvonne afirma irrefutavelmente que sua experiência é amplamente compartilhada por outros usuários: “O que estamos vendo e o que estamos ouvindo dos usuários é algo muito semelhante”.

Ballmer tenta se recuperar deste golpe surpresa, desferido num momento em que estava de guarda baixa, nos primeiros segundos do primeiro round: “Vamos começar com o usuário final. Sua filha viu muito valor”. Yvonne revidou de imediato: “Ela tem 13 anos”.

Ballmer estava bem à vontade sobre as críticas, enquanto defendia amplamente o sistema operacional, afirmando que os usuários apreciaram o valor posto no Vista, mas como nos sistemas operacionais anteriores, há sempre uma tensão entre o valor percebido pelo usuário do ponto de vista do desenvolvedor, além do valor a ser gerado para TI.

Resumidamente, Ballmer fala da expectativa de seguranço nesta nova versão do Windows, da redução das vulnerabilidades, e do retorno positivo nos primeiros 6 meses, se comparado com versões anteriores do Windows. Quanto aos cont roladores de dispositivos, afirmou que no lançamento, havia menos controladores do que ele desejava, mas outros foram adicionados através do Window Update Service. Características de segurança fizeram com que softwares desenvolvidos por terceiros fossem modificados. Foram citados o Citibank e Continental Airlines como exemplo de corporações que já instalaram o Vista. O SP1 está em fase beta, a partir do retorno dos usuários. A MS está a par dos problemas que dos usuários, controladores de dispositivos, e problemas de compatibilidade.Ballmer sabe que o Vista é maior que o XP, e isto é um problema para alguns. Mas o SP1 não mudará isso. Mas máquinas estão crescendo constantemente, e Ballmer afirma que é importante recordar disto também.

Eu particularmente lembro aqui do humorista Tom: “não necessariamente nesta mesma ordem”, ou seja, o software evoluindo nesta progressão passa a exigir uma máquina mais potente, e não o software cresce por que a máquina ficou mais potente. Assim, eu entendo que o crescimento do software é ditado pelo crescimento do hardware. De um jeito ou de outro, em geral não podemos ficar comprando novas máquinas toda vez que o software que usamos mudou de versão. Ainda não achei tanto dinheiro sobrando por aí, e acredito que as empresas também não.

Mesmo assim, apesar de todos estes detalhes citados, Yvonne Genovese, rebate com poucas palavras:”Bom, deixo que você o instale para mim”.

Já disse que fui um evangelista ferrenho do Linux, mas relembrando os seres mitológicos do nosso cotidiano, eu me desenvolvi. Interoperabilidade é uma necessidade, e qual sistema operacional vai ficar com a maior parte da rede depende do que vai ser feito. Mas isto é a visão empresarial. O usuário doméstico precisa de algo que funcione, que dê mais segurança em relação aos vírus e outros atos agressivos. Este usuário quer acessar a Internet sem pensar qual site pode abrir, com medo de “estragar” seu computador. Este usuário quer acessar qualquer email que receber, sem se preocupar em isto ser uma apresentação ou uma armadilha disfarçada em um PDF. No nosso caso, brasileiros, é inadmissível que paguemos quase R$ 1.000,00 por 2 ou 3 CDs, (pode ser conferido o preço da Brasoftware aqui) e por este valor estaremos levando apenas o básico. Neste aspecto, enquanto o sistema operacional da MS ainda precisar dos antivírus e outras ferramentas afins, e custar este preço absurdo (para o brasileiro médio), ainda será um sistema operacional inadequado para o usuário final. Pelo menos o usuário final brasileiro que queira permanecer na legalidade.

Security Fix

Dicas-L: Dicas técnicas de Linux e Software Livre

 
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